Lançamento – Livro celebra a Sinfonia do Rio de Janeiro, de Tom Jobim e Billy Blanco

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Rio de Janeiro, 1954. Uma lotação com destino a Copacabana entra a toda brida no Aterro do Flamengo, numa tarde qualquer. O Rio que brota das janelas com toda a força de sua beleza sacode o coração de um compositor paraense que, mesmo fazendo aquele trajeto todos os dias, jamais se cansa de se admirar com a cidade que escolheu para viver. O tema musical e as estrofes inundam ao mesmo tempo a mente de Billy Blanco, que os repete sem parar, para não esquecer. Desce do ônibus assim que chega à Barata Ribeiro, entra num bar, pede um café, telefona para Tom Jobim e pede que anote letra e música. De lá vai direto para o apartamento do amigo e parceiro.

Capa Livro - frente

Segundo João Máximo, é nessa doce euforia que é composta a Sinfonia do Rio, um conjunto de doze sambas sobre a cidade, unidos pelo “temazinho” que ocorreu a Billy Blanco na lotação. No mesmo ano, a Sinfonia do Rio é registrada numa gravação histórica, com participação de grandes nomes do elenco da gravadora Continental.

No dia 21 de maio, às 18 horas, na Arlequim, que fica no Paço Imperial, o público terá a chance de conhecer melhor essa história, com o lançamento da obra Sinfonia do Rio de Janeiro – 60 anos de história musical da cidade, de autoria de João Máximo. Rica em fotografias que transitam entre o Rio de 1954 e o Rio de hoje, além da memória dos compositores, o livro relata, com um sabor particularmente carioca, todos os passos da saga de uma obra incomum, que marcou a carreira, então em ascensão, dos jovens Tom Jobim e Billy Blanco – o primeiro carioca de berço, o segundo de coração. A edição comemorativa inclui ainda um CD com a íntegra da primeira gravação, de 1954, e de uma segunda versão de 1960.

Apaixonado pela Sinfonia, Ronald Iskin, um dos sócios da Arlequim, foi quem teve a ideia de contar, em livro, a história da composição. – Conheci a Sinfonia do Rio na década de 1970. Nunca tinha ouvido falar e, quando escutei, fiquei encantado – diz. – Os doze movimentos se entrelaçam de uma forma genial, conduzidos pelo leitmotiv que muita gente conhece: “Rio de Janeiro, que eu sempre hei de amar! Rio de Janeiro, a Montanha, o Sol e o Mar!”. Para Ronald, a Sinfonia do Rio é uma composição pré-bossanovista e precursora de outras sinfonias, como a Sinfonia da Alvorada, de Tom Jobim, e a Sinfonia Paulistana, de Billy Blanco. – Cada movimento é como se fosse uma canção – e é mesmo uma canção! – entusiasma-se.

A Sinfonia e suas gravações

O nome original era Rio de Janeiro: a Montanha, o Sol, o Mar – Sinfonia popular em tempo de samba, mas a obra acabou ficando conhecida como Sinfonia do Rio. Todos os temas tratam do Rio de Janeiro: alguns enfatizam a beleza natural (Hino ao Sol, Arpoador, o Mar), outros tratam com delicadeza as mazelas da cidade grande (Coisas do dia, Matei-me no trabalho). Há também os instantâneos poéticos (Noites do Rio, A Montanha, O Samba de Amanhã) e temas que tocam, ainda que de leve, as questões sociais (O Morro, Descendo o Morro).

Um respeitável conjunto de artistas do primeiro time da MPB participou da gravação original, resultado de uma parceria entre o selo Sinter e a gravadora Continental, cujo diretor artístico era ninguém menos que o compositor Braguinha. Graças ao prestígio deste, foi possível reunir um elenco inimaginável para a época: com arranjos e regência do maestro Radamés Gnattali, as canções foram interpretadas por gente do calibre de Dick Farney, Lúcio Alves, Dóris Monteiro, Elizeth Cardoso, Os Cariocas, Gilberto Milfont, Emilinha Borba, Nora Ney e Jorge Goulart.

Apesar de todo o empenho, cuidado e dedicação investidos nesse trabalho, o esperado sucesso não aconteceu: as vendas do disco foram decepcionantes. – Não se sabe ao certo por que a Sinfonia do Rio não estourou – diz Ronald Iskin.

A força da obra, porém, continuou a cativar muita gente. Uma nova gravação foi feita em 1960, marcada por um processo inédito: o mesmo registro musical da primeira, com arranjo e direção de Radamés Gnattali, que tinha sido conservado pela gravadora, foi usado como base. Mas o elenco de cantores – encabeçado por Maysa, Jamelão e Risadinha – foi quase todo diferente. A única exceção foi o grupo Os Cariocas, que participou dos dois registros.

Serviço

Sinfonia do Rio de Janeiro – 60 anos de história musical da cidade, de João Máximo

Lançamento do livro + CD com as duas primeiras gravações da Sinfonia do Rio, de Tom Jobim e Billy Blanco

Edição com 256 páginas – Bilíngue

Preço: R$ 120,00

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