“A Aula Vazia” no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro

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Na sexta-feira, 9 de outubro, no Oi Futuro Ipanema, dois dos cineastas que participaram de “A Aula Vazia” (El Aula Vacía), a brasileira Flavia Castro e a mexicana Mariana Chenillo, além do produtor executivo do filme, Marcelo Cabrol, estarão em um painel para discutir experiências e aprendizagens com a crise educacional que atinge quase metade dos jovens da América Latina.

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Gael García Bernal é o diretor criativo do filme, que contou com a participação de Flavia Castro, Eryk Rocha, Mariana Chenillo e Lucrécia Martel, entre outros

“A Aula Vazia” terá quatro apresentações durante o Festival de Cinema do Rio de Janeiro e uma exibição especial para educadores brasileiros interessados no tema da evasão escolar e do ensino médio. A apresentação do filme para os educadores do país contará também com a participação do cineasta brasileiro Eryk Rocha, que narra em seu curta-metragem Igor, a história dos jovens afro-brasileiros, dos quais apenas 30% concluem o ensino médio.Igor baseia-se na trajetória de um adolescente com muito potencial e energia, mas sem motivação para permanecer na escola.

Os problemas gerados pela falta de interesse de que sofrem muitos jovens estudantes da América Latina também são abordados pela diretora Flavia Castro em seu curta-metragem Matemática. O curta baseia-se na história pessoal de dois adolescentes do Rio de Janeiro que decidem abandonar os estudos.

Na maioria dos países da América Latina, a decisão de permanecer na escola se converteu no maior desafio para a educação das gerações futuras. Sobre esse problema que se apresenta para os jovens, a cineasta acrescenta que “a falta de interesse é um tema difícil no contexto do abandono escolar, já que não são apenas as razões sociais ou econômicas que influem na decisão de deixar de ir à escola, portanto isso nos obriga a repensar a escola em si, o que essa escola está fazendo para o futuro da América Latina”.

“No total, há cerca de 50% de evasão escolar no ensino médio na América Latina, mas as causas não se reduzem a uma única razão. Não é a pobreza que determina essa evasão, nem as expectativas; há toda uma complexidade e cada lugar tem sua característica, por exemplo, em Honduras é pela violência; no Uruguai há um problema com a classe alta, pessoas que deixam a escola porque acham que ela não lhes serve de nada em termos de expectativas de vida, há mil razões por todos os lados”, afirma o diretor criativo de “A Aula Vazia”, Gael García Bernal.

Calcula-se que apenas 20% a 30% das crianças e jovens com deficiências na América Latina frequentem a escola. Mariana Chenillo retrata os obstáculos na educação enfrentados pelos jovens com deficiência. Seu protagonista, Hugo, é como qualquer outro aluno do ensino médio; ele vai à aula todos os dias e procura aprender as matérias para poder se formar. A única diferença é que ele é surdo em um mundo ouvinte e enfrenta desafios não muito comuns para conseguir concluir o ensino médio.

O longa-metragem foi realizado por 10 diretores latino-americanos talentosos sob a direção criativa de Gael García Bernal, com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Fundo da República da Coreia. Essa colaboração latino-americana é a primeira do gênero e tem o objetivo de gerar conscientização mundial por meio das histórias dos jovens que estão por trás das alarmantes estatísticas de evasão escolar no ensino médio.

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