ENTREVISTA – Tiago Vieira fala sobre o curta “Quando parei de me preocupar com canalhas” direto de Gramado

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Direto de 43º Festival de Cinema de Gramado, a equipe do Portal Betioli entrevistou o Diretor do Curta “Quando parei de me preocupar com canalhas”, Tiago Vieira, que falou sobre o processo de produção do filme baseado na história em quadrinhos do cartunista Caco Galhardo.

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Com Matheus Nachtergaele, Paulo Miklos, Otto Ferreira, Nilton Bicudo, Sergio Pardal, Carla Fioroni, Silvio Matos, Vladimir Capella, Dora Smék, Richard Rivera, o curta conta a história de João Carlos, que se acha politizado, mas começa se dar conta de que vem se tornando tão chato quanto os taxistas da cidade. Enquanto esse fantasma o persegue e uma crise de relacionamento o leva ao fundo do poço, um surto de lucidez faz com que tome a decisão mais importante de sua vida. Se alienar.

Como foi fazer esta gravação?

Tiago Vieira – Foi um processo longo, baseado em uma história em quadrinhos do Caco Galhardo, cartunista de São Paulo, que tinha publicado este quadrinho na Revista Piauí em 2008. Na época, em 2008, eu ainda estava iniciando neste tipo de trabalho, mas aproveitei esta história como um estudo para aprender a fazer roteiros e fiz a adaptação mais como exercício mesmo. E quando terminei este processo, gostei do resultado e achei que daria para fazer um curta. Então, fui atrás do cartunista para pedir autorização. Logo de cara, ele topou, achou interessante, mas falou ‘Acho que este filme não pode ser feito com dinheiro público, porque vai ser um tiro no pé’. Eu estava de acordo com isso, mas não tinha dinheiro para fazer; então, engavetei o projeto e deixei guardado para quando houvesse uma oportunidade.

Este é o seu primeiro grande projeto?

Tiago Vieira – Desse porte, com este elenco – Matheus Nachtergaele, Paulo Miklos, Otto Ferreira, Nilton Bicudo, Sergio Pardal, Carla Fioroni, Silvio Matos, Vladimir Capella, Dora Smék, Richard Rivera, é. Eu já tinha feito outras coisas antes, mas muito simples, com celular.

Quando começou e quanto tempo durou a produção?

Thiago Vieira – Em 2013, começamos com a captação de recursos com o Catarse, e a produção e concluímos a filmagem em maio de 2014, depois foi preciso mais um ano para a finalização do curta, que ficou pronto agora em 2015, nas vésperas do Festival de Cannes 2015, onde fomos selecionados como Short-Film Corner do Festival.

O filme traz vários elementos cotidianos como a história dos motoboys, estrangeiros que vivem aqui no nosso país. Trazer estes elementos para o filme foi intencional ou o custo do filme teve influência nisso?

Tiago Vieira – A falta de dinheiro já existia, ainda mais não tendo possibilidade de entrar no edital. Então, a gente já vivia esta realidade. E como conseguimos este elenco, conseguimos uma motivação grande da equipe, que se uniu e fez a coisa acontecer. E o resultado do que surgiu na tela é muito maior do que nós tivemos de estrutura de produção. Parece que tivemos R$ 120 mil, mas na verdade tivemos R$ 35 mil – e o que faltou, nós complementamos com a força da equipe, do elenco e de cerca de 60 pessoas para colocar este projeto de pé.

Como você avalia o cenário cinematográfico do país?

Tiago Vieira – Eu não sou tão experiente nesse sentido para poder dar uma resposta mais profunda. Esse é meu primeiro filme e que não foi feito através de lei incentivo. Eu tenho algumas experiências de tentar outros projetos, de entrar em alguns editais, e tenho tido resultados negativos, eu não consegui nada até agora. Sei que é um processo muito burocrático, é uma concorrência absurda. E, mesmo tendo assinado também como produtor do filme, eu não sou um produtor que realmente deveria se envolver com isso.

O que eu posso dizer de fato é: eu imagino que este filme vai abrir algumas portas, porque hoje as dificuldades são grandes de se conseguir avançar nesta área. O cenário ainda é muito restrito, sobretudo porque está centralizado no eixo Rio / São Paulo, mas sei que existe uma tentativa de descentralizar isso. Por exemplo, se eu entrasse em um edital em Goiânia eu teria uma concorrência, entre aspas uma chance, maior do que em São Paulo, por exemplo. Tenho até pensado em fazer um próximo filme em Goiás.

FICHA TÉCNICA

Direção: Tiago Vieira

Escrito pro : Caco Galhardo

Roteiro por: Fabricio Ide, Tiago Vieira

Produzido por: [ producers ] Cao Quintas, Didier Habib, Niny Ring, Patrícia Morena, Rafael Pinto, Tiago Vieira

[ executive producers ] Cassio Pardini, Pedro Gambera

[ co-producers ] Andréia Habib, Bruno Felsmann, Pauline Gras

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1 comment

  1. “Ausência” é o melhor longa brasileiro no 43º Festival de Cinema de Gramado | PORTAL BETIOLI 18 agosto, 2015 at 21:38 Reply

    […] Já os troféus distribuídos para produções em curta-metragem premiaram títulos variados, destacando-se “O Corpo”, Melhor Filme e Fotografia – ele já havia sido o grande vencedor da mostra de curtas gaúchos. O curta “Quando parei de me preocupar com canalhas” levou o prêmio de melhor roteiro e melhor ator (veja a entrevista com o Tiago Vieira aqui no Portal). […]

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