Zelito Viana em Gramado: “Tive a chance de estar no lugar certo e na hora certa”

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O momento solene da noite desta quinta-feira, 13, no 43º Festival de Cinema de Gramado, foi o tributo ao cineasta e produtor Zelito Viana, que recebeu o troféu Eduardo Abelin – honraria concedida a realizadores e técnicos que orgulham o cinema nacional. “Eu tive a chance de estar no lugar certo e na hora certa”, agradeceu, humilde, o cineasta.

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Zelito Viana e seu filho, Marcos Palmeira, posam com o troféu Eduardo Abelin.

Foto: Edison Vara/Agência PressPhoto 

Zelito se referia à sua trajetória, que pode ser resumida na celebração dos 50 anos de sua produtora, a Mapa Filmes. A empresa foi fundada em 1965 em conjunto com nada mais nada menos do que Glauber Rocha, Paulo César Saraceni, Walter Lima Jr. e Wanderley Reis – e foi responsável por títulos que marcaram a história do cinema nacional como “Terra em Transe”, “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” e “Cabra Marcado para Morrer”. “É uma honra ter pertencido a esta geração do Cinema Novo”, asseverou.

Em seus agradecimentos, Zelito lembrou colegas de profissão – categoria na qual está incluída também sua família, que foi entregar-lhe o troféu no palco. “Especialmente a Glauber Rocha, Leon Hirszman e Joaquim Pedro de Andrade, com quem aprendi tudo o que eu sei”, completou.

Com a arte no sangue

Da mesma forma que Zelito foi influenciado pelo Cinema Novo, de suas obras beberam a filha, Betsi de Paula e a sobrinha Cininha de Paula, ambas cineastas e o filho, o ator Marcos Palmeira – todos estavam em Gramado, ao lado esposa, Vera de Paula, e da neta Beatriz Viana.

Atualmente o diretor segue refletindo sua família no ofício que escolheu, mas agora sob outro ângulo: decidiu contar, através de uma ficção que está em pré-produção, uma história que viveu nos anos 80, quando foi visitar o pai doente no Maranhão.

“Descobri oito irmãos que nunca imaginei”, revelou, para logo anunciar que espera retornar ao festival no ano que vem. “Mas aí quero estar concorrendo e ganhar um Kikito”, concluiu.

“Falta um pouco de utopia ao brasileiro”

Meio século de dedicação ao cinema confere a Zelito Viana uma autoridade inquestionável para analisar o momento da produção brasileira, que ele considera delicado.

“O cineasta virou um burocrata, um prestador de contas, já não importa mais fazer um bom filme, mas sim acertar as planilhas para os fundos de fomento”, lamenta.

Zelito vincula a burocratização do cinema também a uma certa apatia da sociedade brasileira, que negligencia o debate sobre que país deve construir. “Falta um pouco de utopia, não só no cinema, mas na política em geral”, reclama.

Entretanto, é um otimista e acredita que essa ordem comportada pode ser rompida com as novas tecnologias. “O celular vai implodir esse sistema burocrático, assim como o Google está mudando a forma de educar”, comparou.

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