ENTREVISTA- Ramirez Pala: “Fui uma pedra bruta e tive que ser lapidado”

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Do Portal Betioli, por Lucas Cassio

Apaixonado pela ginástica artística desde criança, Ramirez Pala soma hoje orgulhosamente 16 títulos brasileiros e uma experiência vasta com participações em mais de 40 competições, entre campeonatos Estaduais e Brasileiros, Jogos Pan Americanos, Olimpíadas e Campeonatos Mundiais.

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A ginástica de trampolim conquistou Ramirez “por sua beleza, por ser um esporte diferente, único”. Essa modalidade é considerada olímpica desde 1997 e no ano de 2000 em Sidney (Austrália) houve a primeira competição da modalidade nos jogos.

O principal objetivo de Ramirez Pala é representar o Brasil nos Jogos Olímpicos que serão realizados em sua casa, no Rio de Janeiro em 2016. O Brasil tem uma vaga garantida na modalidade e Ramirez luta por ela.

Em entrevista exclusiva ao Portal Betioli, o atleta contou como está se preparando, falou sobre suas expectativas e das dificuldades enfrentadas.

Como nasceu essa vontade de praticar a ginástica de trampolim?

Ramirez Pala: Minha atração pelo esporte começou desde muito cedo. Minha mãe diz que, aos três anos de idade, eu já prestava atenção em tudo que saía na televisão sobre ginástica. Com cinco anos de idade comecei a praticar ginástica de trampolim, daí em diante tudo aconteceu naturalmente, me apaixonei por esse esporte do qual hoje sou 16 vezes campeão brasileiro.

Quando você começou no esporte?

Ramirez Pala - Quando criança, como era cheio de energia, meus pais me colocaram para praticar alguns esportes, com cinco anos praticava natação, judô e ginástica de trampolim, mas como já era encantado pela ginástica desde muito cedo, foi a ginástica de trampolim que se tornou o meu esporte preferido, tanto é que estou nesse esporte há 25 anos.

O que mais te cativou?

Ramirez Pala - A beleza do esporte sem dúvidas falou mais alto e, por ser um esporte diferente, único, isso também me chamou muito atenção, por ser algo novo naquela época!

Quais foram os principais desafios no começo da sua carreira?

Ramirez Pala - No começo tinha dificuldades em saltar, existiam algumas falhas em muitos saltos. Meus principais desafios naquela época era ganhar maturidade, experiência, evoluir tecnicamente, fisicamente, pois só assim conseguiria melhorar como atleta. Costumo dizer que fui uma pedra bruta e tive que ser lapidado, pois só depois desse processo de lapidação da pedra é que ela passa pelo polimento para fechar com o brilho, e comigo não foi diferente, mas esse processo que passei foi de total importância para minha carreira.

E hoje, quais são os desafios dos atletas que praticam esse esporte?

Ramirez Pala - Costumo dizer que o grande desafio é você conseguir permanecer no esporte, sobreviver do esporte com tão pouco investimento, poucas competições e passar por tudo isso sem patrocínio. Isso tem feito muitos atletas desistirem do esporte. Nada na vida vem fácil, já sabemos disso, tudo é com muita luta, garra, perseverança e força de vontade para conseguir vencer no esporte e do esporte.

Como está o cenário esportivo desta modalidade no Brasil?

Ramirez Pala - Vemos um progresso ao longo do tempo que vem melhorando muito a Ginástica de Trampolim no Brasil, só de já termos o trampolim oficial, que é homologado pela FIG com o padrão internacional em alguns clubes, isso já nos possibilita trabalhar com uma qualidade melhor.

Já participou de quantos campeonatos? Algum marcou mais a sua carreira?

Ramirez Pala - Mais de 40 competições, entre campeonatos Estaduais e Brasileiros. O campeonato que mais me marcou foi o brasileiro de 2008, pois tive uma queda de 7 metros de altura durante um treino, às vésperas do campeonato brasileiro, porém mesmo cheio de dor, fui para o campeonato, competi e ganhei a competição, e logo após fui para uma etapa da Copa do Mundo em Portugal, ficando em 13º lugar. Quando voltei de viagem, fui fazer os exames para saber por que ainda doía tanto os meus dois calcanhares, a médica ficou assustada e perguntou como eu estava andando com os dois calcanhares fraturados. Isso me marcou muito, pois me mostrou que mesmo machucado, fui mais além do que eu imaginava.

Já participou de Jogos Pan Americanos, Olímpicos e Campeonatos Mundiais? O que você leva de experiência dessas competições?

Ramirez Pala - Esse será o terceiro Pan-Americano que participo, também já participei de nove Campeonatos Mundiais. Em Jogos Olímpicos cheguei perto, fui primeiro reserva em Pequim 2008 e segundo reserva do evento teste de Londres. Torço para que em 2016 eu consiga participar dos Jogos Olímpicos que acontecerão aqui no Rio. Essas competições nos dão grandes experiências, além de nos dar maturidade no esporte.

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Como está o Brasil comparado a outros países que tem representantes nessa modalidade? Qual nosso maior adversário?

Ramirez Pala - O Brasil ainda está “atrás” de muitos países, não temos investimento e nem renovação, o nível técnico vem crescendo muito e novos talentos vem surgindo em outros países. A China é quem comanda agora o trampolim no mundo, ela é nossa maior adversária.

Como você se prepara para as competições? Está se preparando de alguma forma específica para os Jogos Olímpicos do Rio?

Ramirez Pala - Estou me preparando dentro da minha realidade e com todas as “armas” possíveis que tenho e, claro, com as experiências e habilidades que adquiri durante todos esses anos me dedicando à Ginástica de Trampolim.

Qual sua expectativa para os Jogos Olímpicos do Rio? Acredita que estamos preparados para a competição?

Ramirez Pala - A expectativa é sempre pensamento positivo, já que nossa realidade não condiz com que temos e com o que queremos. As vésperas dos Jogos Olímpicos não estamos tendo investimentos e nenhum suporte que nos ampare na preparação. Em relação a estarmos preparados para um evento desse porte, talvez sim, é só observar a estrutura que está sendo preparada para os Jogos Olímpicos. Mas de que vale uma estrutura boa sem o investimento em muitas modalidades que estarão presentes nos Jogos Olímpicos?!

Quais são os seus planos para o futuro no esporte e fora dele?

Ramirez Pala - Meu principal objetivo é representar o Brasil nos Jogos Olímpicos que serão realizados na “minha casa”, no Rio de Janeiro, em 2016. Só traçarei meu plano para o futuro fora do esporte se eu não conseguir atingir meu objetivo principal, até lá, meu foco são os Jogos Olímpicos Rio2016.

Alguma dica para quem deseja praticar esse esporte? O que diria para quem quer iniciar na ginástica de trampolim?

Ramirez Pala - Em primeiro lugar, a pessoa deverá amar o esporte porque o amor tudo suporta (dores, cansaços…rs) e vida de atleta não é fácil. E se realmente amar, foco e perseverança são essenciais para uma boa iniciação.

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