TEATRO – Galileu Galilei no Teatro Tuca (SP)

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Brecht costumava falar em seus diários da necessidade de DIVERTIR PARA COMUNICAR e empregou essa receita em toda a sua obra. Ontem, dia 15 de maio, estreou a peça “Galileu Galilei” que faz uma profunda e divertida reflexão sobre o que somos, o que viramos, o quanto abandonamos de nós, a luta de classes, o “ser mandado” e “ser patrão”, a tirania do poder econômico, as liberdades de escolha e o preço a pagar por elas.

Foto Galileu - crédito João Caldas

“A grande estrela de Galileu Galilei é o poder da palavra. A clareza de raciocínio, o humor, o fio inebriante por onde Brecht escolhe contar essa história nos leva passo a passo a um profundo estado de reflexão”, relata Denise Fraga, que dará vida ao grande cientista italiano redesenhado por Brecht, que se apropria desta situação histórica e, com afiado humor e ironia, abre ramos da riqueza desse conflito para além do acontecimento.

Na Itália do século XVII, Galileu consegue construir um telescópio melhor que os existentes e explorar os céus como nunca antes haviam conseguido. Com os satélites de Júpiter, ele finalmente comprovaria a doutrina de Copérnico de que o Sol é o centro do Universo e de que a Terra se move e gira em torno dele. Galileu passa a defender e a propagar esta ideia, apesar de saber que ela era contrária ao dogma da Igreja. Entretanto, este homem apaixonado, o cientista genial movido por uma nova verdade, vê os senhores do poder estabelecido se negarem à obviedade dos fatos.

A ideia da Terra não ser o centro do Universo ameaçava convenientes estruturas de poder. Estávamos em 1609, em pleno movimento da Contra Reforma. Galileu tinha muito prestígio e amizades dentro do próprio clero e acreditou que, com este escudo, poderia seguir em frente para instalar seu novo esquema de mundo. Ledo engano. Foi perseguido pela Santa Inquisição, processado duas vezes, e, ameaçado de tortura, foi obrigado a negar, abjurar, suas ideias publicamente. Somente em 1992, mais de três séculos após a sua morte, a Igreja reviu o processo da Inquisição e decidiu pela sua absolvição.

Mas não é só da biografia de Galileu que Brecht quer falar.

“Privilegiando a vida à história, o homem ao herói, seu Galileu Galilei nos faz acreditar que a história do mundo foi construída por homens que tinham suas fraquezas e suas dúvidas misturadas a seus atos de coragem e clareza. Homens que acordam, lavam o rosto, tomam seu café com leite e, mobilizados por suas ideias e projetos, muitas vezes, se enredam em terríveis jogos de poder”, completa Denise.

Brecht coloca em xeque o herói, seu significado social, a discutível necessidade de sua existência numa sociedade que compromete sua liberdade em seus inevitáveis jogos de poder. Com isso, chama toda a plateia para compartilhar de sua questão.

O espetáculo da diretora Cibele Forjaz desvenda o fazer teatral diante do público, com atores que manipulam o cenário e fazem a contrarregragem, totalmente disponíveis artisticamente para contar a história que Brecht reinventou, trazendo à cena uma profusão de formas, conceitos, parodias grotescas, cenas pungentes, emoção e muito riso, um estranhamento carnavalizado com a intenção de, talvez, criar um espetáculo genuinamente épico brasileiro. O elenco mistura atores parceiros de longa data de Denise e de Cibele, em sua Cia Livre: Ary França, Rodrigo Pandolfo, Lúcia Romano, Maristela Chelala, Vanderlei Bernardino, Jackie Obrigon, Luís Mármora, Silvio Restiffe e Théo Werneck – como ator e músico. “Juntamos um time de dar água na boca. Nosso super objetivo em comum: contar muito bem a história de Brecht-Galilei!”, fala Cibele

A trilha sonora de Lincoln Antônio e Théo Werneck cria novas canções, ambientes sonoros e reinventa músicas originais de Hanns Eisler para a obra original de Brecht. Márcio Medina cria um interessante espaço cenográfico valorizando as inúmeras analogias ao movimento circular sugerido pelo texto. Os figurinos de Marina Reis passam pela Renascença chegando até o futuro próximo, ora identificando épocas, ora sugerindo a atemporalidade das questões e, finalmente, a luz de Wagner Antônio contribui para criação de climas e espacialização, valorizando a ótica e a luz tão estudadas por Galileu.

SERVIÇO

GALILEU GALILEI

Teatro Tuca (Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes)

Informações: 3670.8455

Vendas: www.ingressorapido.com.br e 4003.1212

Bilheteria: de terça a domingo a partir das 14h. Aceita dinheiro e todos os cartões, crédito e débito. Não aceita cheque. Acesso para deficiente. Ar-condicionado. Vallet no teatro aos sábados e domingos – R$ 20. Estacionamento conveniado: Píer Park da Rua Monte Alegre, 835 – R$ 14.

Sextas e Sábados às 21h | Domingos às 19h

Sextas R$ 50 | Sábados e Domingos R$ 70

Duração: 140 minutos

Recomendação: 12 anos

Temporada: até 30 de Agosto

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