Crianças refletem sobre como lidar com suas emoções na escola

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 Por Letícia Kapper

Rede pública de ensino de cidade do interior de Santa Catarina incluiu educação emocional na grade curricular

Física, matemática, história, geografia. Todas são disciplinas ensinadas na escola tradicional, que se preocupa com a formação intelectual e moral das crianças e jovens. Mas tem uma coisa com a qual lidamos todos os dias, a vida inteira, e sobre a qual refletimos pouco: as nossas emoções.

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E são elas que definem nosso comportamento em inúmeras situações, por vezes até nossos hábitos alimentares. Quando não lidamos com nossas emoções, somos alvos fáceis da ansiedade, por exemplo, que pode nos levar a desequilíbrios como a obesidade, depressão, entre outros.

O melhor mesmo é encarar nossas emoções e sentimentos de frente. E é isso que os professores da rede pública da pequena cidade catarinense Luiz Alves (com pouco mais de 10 mil habitantes) estão incentivando seus alunos a fazerem, de forma pioneira. Até então, a educação emocional só aparecia entre as disciplinas de escolas particulares.  

“Nessa idade geralmente eles não gostam de expor as emoções. E nós passamos para eles que precisam se expressar; mesmo quando brigam com alguém, precisam conversar com a pessoa e explicar como estão se sentindo e o porquê”, afirma a professora Vanessa de Oliveira da Costa, que aplica o programa “Passaporte – Habilidades para Vida” na Escola Básica Municipal Professor Rafael Rech.

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A faixa etária a qual a professora se refere é entre 11 e 12 anos, idade média dos alunos do 6º ano com quem vem trabalhando. Mesmo num curto período de tempo – nem meio ano, ela já sente a mudança de postura deles.

“Na hora de lidar com as dificuldades (apresentadas em dinâmicas), pensam muito bem em qual estratégia usar. Já não usam mais ideias que não são aceitáveis. Sempre buscam ações que lhes façam sentir bem, que não prejudique a si mesmo nem a outra pessoa”, relata.

O conteúdo, dividido em módulos, é repassado de forma dinâmica, inclusive usando jogos como os de tabuleiro. A primeira aula foi sobre sentimentos – um convite a pensar sobre si próprio e também sobre o sentimento do outro. Já o assunto da última aula, no módulo 5, é mudanças e perdas – como lidar com elas.

O programa foi implantado no segundo semestre deste ano na escola dirigida pela Vanessa e deve se estender a outras que tenham turmas de 6º a 9º ano.  Tudo isso aconteceu depois de ver que rendeu bons frutos a implantação do programa “Amigos do Ziggy”, também de educação emocional, nas turmas da rede pública – municipal e estadual – com crianças de 2 a 3 anos.

Capacitação pela ASEC

Os professores que atuam no programa “Passaporte – Habilidades para vida” são capacitados pela ASEC – Associação pela Saúde Emocional de Crianças, representante exclusiva do programa no Brasil – esse financiado pela Agência de Saúde Pública do Canadá.

O projeto é uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação, Assistência Social, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente e a ASEC (Associação pela Saúde Emocional das Crianças).

 

Direção: Priscilla Betioli

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